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É preciso buscar as causas

Benedicto Ismael C. Dutra
30/05/2017



Precisamos saber por que a economia brasileira perdeu a capacidade de empregar a massa de mais de 14 milhões. O que mais vemos no entorno da cidade de São Paulo são galpões com a placa de aluga-se. Proliferaram depósitos logísticos de produtos importados. Os preços dos bens vão sendo reajustados, enquanto os salários ficam estagnados ou declinam. O dólar exerce grande influência através das contabilidades baseadas nessa moeda. Enfim, está faltando o grande estudo que aponte as causas da regressão econômica do país que permanece inconsistente desde os anos 1980, para que seja possível indicar soluções que promovam a melhora geral e da qualidade humana.
 
No pós-lei Áurea a mão de obra liberada ficou sem ocupação e sem escola, tendo que se alojar em favelas. Getúlio e Lula se aproveitaram do vazio deixado por seus antecessores que deram continuidade ao sistema exportador de commodities. As divisas e ganhos das exportações ficavam na maior parte fora do país, com pouca contribuição para a economia interna. Isso, somado à corrupção, resultou em despreparo e grande atraso. Menos mal que estejam entrando dólares de exportação, embora só de commodities. Mas a questão é o que fazer para reverter a estagnação econômica geral e o desemprego.
 
O Congresso trabalha para ajustar a previdência que tende à insolvabilidade e à CLT, que por ter sido mal utilizada, produziu uma indústria de demandas trabalhistas de custo imprevisível. As empresas são formadas para gerar lucros para os quais o capital é indispensável, mas requer a colaboração dos que trabalham produzindo e tocando o empreendimento. A reforma deveria incluir algum dispositivo de participação nos resultados, pois se trata de manter o equilíbrio entre as partes. Mas como produzir com a indústria desfenestrada, a mão de obra despreparada, a droga avançando, os juros lá em cima, o câmbio desalinhado?
 
Há muito tempo o país precisa de um projeto sério de desenvolvimento econômico sustentável que gere livre iniciativa, emprego, renda, consumo decente e esperança. Para o economista Luciano Coutinho a situação atual decorreu da persistência de juros altos e câmbio valorizado, e abundância de produtos de custos menores procedentes da Ásia. Mas não ficou claro por que essa política nefasta encontrou guarida por tão longo período, e mais precisamente, desde os anos 1990. 
 
Não se pode implantar indústrias com financiamento barato sem que haja  competência gerencial. Assusta o fato de estarmos perdendo terreno nos avanços dos processamentos em geral, na química, eletrônica, mecânica, e com a falta de preparo da mão de obra. No que isso vai dar se não houver um primoroso trabalho de recuperação?
 
O desmazelo praticado na gestão pública é como se o pavio estivesse queimando há tempo. Foram décadas de irresponsabilidade gerencial do país, corrupção de alto a baixo, e descrença, como se o Brasil fosse uma planta que não deveria se desenvolver. Agora os frutos amargos estão sobre a mesa. O pavio aceso se aproxima da dinamite; é preciso cortá-lo antes que exploda e ocorra em todo o país o que já está acontecendo no Rio de Janeiro, onde a corrupção e a decadência imperam. Poderia ser mesmo o fim do Brasil.
 
A crise econômica que se evidenciou no século 21 entre livre mercado e capitalismo de Estado vem causando a confusa situação na qual convivem os dois sistemas de produção cuja competição fica comprometida. Concluindo, globalização, câmbio, juros e disparidades ente capitalismo de Estado e livre mercado desequilibraram o sistema de produção, comércio, emprego e consumo entre os povos. 
 
Especialistas apontam o baixo crescimento da economia como a causa principal, mas seria só isso? Na economia global há desequilíbrios que precisam ser encarados, há muitos interesses para manter a situação do jeito que está, porém em longo prazo teremos consequências desagradáveis. Com o aumento da incerteza econômica e social, crescem os movimentos de massa. A vida de 99 % dos habitantes do planeta tende a se precarizar. O foco da atividade econômica deveria ser a busca de melhores condições gerais de vida que possibilitem a evolução das pessoas que se dispõem a aprender e a trabalhar com eficiência. 
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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