RSS
 

Cidadãos globais ou do cosmos

Benedicto Ismael C. Dutra
07/07/2017



 Vivemos na época do abuso do poder por homens que se julgam acima de tudo e de todos, impondo sua vontade de forma tirânica. O que eles pensam que seja a vida? Não querem assumir a responsabilidade, inerente a todos os seres humanos, de construir e beneficiar o mundo em que vivemos para viabilizar a paz, o progresso e a evolução. Configuram um arremedo de seres humanos e estadistas, pois com suas ações e paixão pelo poder, conduzem tudo para o abismo das cobiças e vaidades.
 
Em todo esse período pós-guerra, com a supremacia do dólar, o que se observou foi a falta de mecanismos para equilibrar a balança comercial e as contas externas, situação que permanece desafiando o equilíbrio do progresso. Globalização e abertura são processos que avançam, mas não deveriam destruir a autossuficiência, arrasando os países deficientes e com baixo preparo da população, e que fazem o papel de fornecedores de matérias-primas e mercado consumidor.
 
Os países como o Brasil precisam de dólares não apenas para as importações, como também para o turismo para cobrir serviços, juros, royalties, remessas de lucros e dividendos, e devido às exportações de primários serem insuficientes, são atraídos dólares especulativos com taxa abusiva de juros. São mecanismos que o FMI deveria ter examinado e provido uma forma equilibrada para impedir a continuada sangria enfraquecedora, mas principalmente os governantes deveriam evitar a criação continuada de passivos.
 
Durante décadas o dólar permaneceu totalmente nas mãos dos Estados Unidos. Atualmente vários países dispõem de reservas em dólares, sendo a da China estimada em US$ 3 trilhões, enquanto os Estados Unidos ostentam uma dívida de US$ 19 trilhões. Qual será o futuro monetário internacional?
 
O presidente Donald Trump quer a reciprocidade do “toma lá, da cá”. Para que haja paz e progresso no mundo tem de haver equilíbrio na balança comercial e nas contas correntes, aspecto descuidado pela maioria dos governantes. O tabelamento de preços é condenado por grande parte dos economistas que, no entanto, não se alarma quando o preço do dólar, mercadoria rara nos países deficitários, fica cotado com preço fixo.
 
A cobiça pelo poder e dominação gera desconfiança mútua. Para que a democracia possa ser firme é necessário que os povos se pautem pela mesma plataforma de fatos. Porém, para esta ter êxito, deve ser baseada nos fatos concretos das leis naturais da Criação, e não em teorias fugazes criadas pela mente dos homens. Sem alvos comuns de aprimoramento das condições de vida e da espécie humana tudo passa a se basear em opiniões individualistas e tirânicas.
 
A escola tem uma grave lacuna ao não estimular os estudantes a refletir sobre o mundo em que vivem - o planeta Terra, que foi especialmente dotado para permitir a vida e o desenvolvimento do ser humano. Ela deveria focar a natureza e suas leis, e a nossa responsabilidade em preservá-la, para evitar ou diminuir a destruição ambiental, econômica e social.
 
Claudia Costin, colunista do jornal Folha de São Paulo, focalizou num artigo os “cidadãos globais”, pois nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, recentemente aprovados pela ONU, inclui-se a ideia de formar jovens para a cidadania global, de forma que a próxima geração possa construir um mundo melhor. Eu particularmente prefiro “cidadãos do cosmos” como uma vez disse Tom Hanks em documentário sobre o Big Bang. 
 
Afinal, de que é feito o corpo dos homens? Diariamente nos abastecemos e sobrevivemos com recursos da natureza. Não é um absurdo lembrarmos e comemorarmos o meio ambiente apenas numa data específica a cada ano? Isso será modificado quando os homens se tornarem seres humanos de qualidade. Os estudantes têm de saber que o planeta Terra foi estruturado para ter as necessárias condições para a vida num colossal processo da natureza, possibilitando o desabrochar do elemento espiritual. Ao longo dos séculos, o homem, com o seu livre arbítrio, passou a fazer escolhas e a tomar decisões que acabaram transformando o mundo num lugar perigoso para se viver, em vez de construir e beneficiar como era esperado. Urge eliminar a ignorância que tem levado os humanos a falhar como nenhuma outra espécie.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Enviar um Comentário:

Nome:
Email:
  Publicar meu email
Comentário:
Digite o texto que
aparece na imagem:

Vida e Aprendizado 2011.
Reproduçao total ou parcial do conteúdo deste site deverá mencionar a fonte.