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O fim das religiões

Benedicto Ismael C. Dutra
10/10/2017



O historiador Michel Shermer prevê que em alguns séculos a religião vai cair em desuso. De fato, muitas inverdades foram forjadas sobre o significado da vida e o além da matéria pelas crenças cegas e acomodatícias que não requerem análises objetivas de seus crentes, pois deixaram de lado a possibilidade da ressurreição através de várias encarnações bem como a lei básica do "cada ser humano colherá centuplicadamente o que semear", a lei da reciprocidade ensinada por Jesus e pela Mensagem do Graal.  O ser humano da antiguidade venerava o Criador de Todos os Mundos, mas as religiões criadas pelos homens tinham por alvo a supremacia e o poder terreno, portanto não há o que estranhar se com o passar do tempo caiu em descrédito, mas duvidar da existência do Criador evidencia o domínio irrestrito do raciocínio cerebral em oposição aos ditames do eu interior, o espírito em peregrinação pela materialidade para evoluir e beneficiar.


Veja abaixo a íntegra da entrevista com Michel Shermer publicada no jornal Folha de São Paulo em 06.10.2017 :
 
Vai demorar, mas religiões cairão em desuso, diz historiador da ciência
 
Por: Salvador Nogueira
Colaborador da Folha
 
Pode levar séculos, mas as religiões vão cair em desuso. A predição é de Michael Shermer, historiador da ciência e escritor americano que fundou a Sociedade dos Céticos nos EUA. "Em países europeus, onde há bons sistemas de proteção social, eles não precisam de religião. Essa é uma das razões por que os percentuais de religiosos são bem mais baixos lá do que em países americanos, incluindo a América do Sul", diz Shermer.
 
O escritor esteve em São Paulo para participar do 1º Seminário Internacional Scientific American Ciência e Sociedade e conversou com a Folha sobre os desafios de disseminação da cultura científica no momento atual, permeado por "fake news" e ataques à ciência.
 
Otimista, Shermer acredita que o momento atual seja um caso típico de "três passos à frente, dois atrás", mas se preocupa com o fenômeno das "bolhas" de isolamento criadas pelas redes sociais.
 
"Somos xenofóbicos e você pode classificar pessoas em qualquer categoria que quiser, não apenas cor da pele ou gênero, mas partido político, ideologia, crenças religiosas."

E como se elevar acima da cacofonia da internet e vencer a noção errônea de que a ciência é apenas uma "narrativa", uma "versão" dos fatos? Para ele, o segredo está na educação infantil.
 
"Precisamos ensinar às crianças que há um mundo real e que podemos saber algo a respeito dele, e a ciência é a melhor ferramenta que temos, e ensinar aos estudantes não só os fatos da ciência, mas como os cientistas pensam sobre as coisas."
 
Folha - Como o sr. vê o cenário da divulgação científica? Há dificuldades ou é uma impressão criada pelas redes sociais?
Michael Shermer - As duas coisas. Quer dizer, há mais ataques à ciência e à verdade, há mais "fake news", fatos alternativos, clickbait [caça cliques], todo esse lixo na internet, mas, por outro lado, nós todos podemos ter nossas páginas web, nossos próprios canais no YouTube, podemos fazer nossos filmes, programas de TV, blogs, podcasts e assim por diante. Então é como as publicações de papel, que cortam para os dois lados. Ela imprime Shakespeare e imprime "Mein Kampf" [autobiografia de Hitler]. Tudo que podemos fazer é seguir adiante e bolar ferramentas melhores de comunicação. Outro problema é o fato de as empresas de redes sociais, como o Facebook, terem algoritmos que o alimentam com notícias baseadas no que você já está buscando, então sua bolha vai ficando cada vez pior, mesmo que você não se esforce para isso. Você tem de ativamente procurar e ler pontos de vista contraditórios.
 
Mas as pessoas não fazem isso.
Não fazem. Acho que uma solução é alguém bolar um aplicativo –provavelmente alguém já fez– que contorne isso e envie automaticamente para você informações que são de algum outro jornal com o qual você não concorda.
 
Não seria uma forma limitada de contornar? A maioria das pessoas não ficaria irritada?
Está certo. O que fazer quanto a isso? Então, eu não sei.

Isso o preocupa?
Sabemos por estudos de cientistas políticos que os partidos estão ficando mais extremados, estão se afastando do centro. Quer dizer, os eleitores indecisos, aquele grupo do centro está ficando menor, enquanto esquerda e direita estão ficando maiores e se afastando. E isso, em parte, é alimentado pela bolha. Isso me preocupa, porque a mente humana é projetada para fazer isso. Somos muito xenofóbicos e você pode dividir, classificar pessoas em qualquer categoria que quiser, não apenas cor da pele ou gênero, mas partido político, ideologia, crenças religiosas.
 
Parece que a maioria das pessoas vê a ciência como uma narrativa, mais uma versão, e não algo que você teste e deixe a natureza arbitrar.
Acho que a resolução disso começa com educação primária. Precisamos ensinar às crianças que há um mundo real e que podemos saber algo a respeito dele, e a ciência é a melhor ferramenta que temos, e ensinar aos estudantes não só os fatos da ciência, mas como cientistas pensam sobre as coisas. Que não há certezas. Há hipóteses provisórias que testamos e progredimos e temos modelos cada vez melhores de como o mundo funciona, mas é um processo contínuo. É mais como um modo de pensar sobre o mundo e abordar questões. É disso que se trata o pensamento crítico. Nós ensinamos como pensar, não ensinamos o que pensar.
 
Mudando de assunto para a ameaça nuclear, ainda não nos livramos dela, como podemos ver no noticiário.
Há bem menos armas nucleares agora do que quando elas atingiram o pico, em 1987. Havia, acho, cerca de 70 mil armas nucleares no mundo inteiro. São cerca de 10 mil agora. Então tivemos algo como uma redução de 80%. Isso é bastante. Mas teríamos de chegar abaixo de mil para impedir a extinção da nossa espécie ou outra grande catástrofe. Trump tuitou dizendo que Clinton, Bush e Obama fracassaram com a Coreia do Norte, e que ele não ia fracassar. Eles não falharam. Nada aconteceu e isso é sucesso. Nós não queremos que esse cara faça nada, então é só apertar as sanções econômicas e é assim que funciona. Não houve guerras, então na verdade está funcionando.
 
Mas também há o argumento de que a Coreia do Norte é um perigo crescente.
Sim, talvez sim, porque Kim Jong-un desenvolveu mísseis. Pode ser que os queira para defesa. Para que seria? Ele realmente os usaria? Duvido. Ele não é um doido religioso. Eu ficaria mais preocupado se o Estado Islâmico pegasse uma arma nuclear, porque esses caras, eles querem morrer, eles acham que vão para o céu, eles realmente acreditam nesse papo de doido.
 
O sr. já foi religioso e se tornou ateu. Como lidou com essa grande mudança?
Eu não fui criado com religião. Foi uma experiência pela qual eu passei com meus colegas no ensino médio, mas fiz isso por sete anos e levava a sério. E fico feliz de ter feito isso, porque eu realmente entendo a mentalidade religiosa. Em uma bolha, como uma escola religiosa, cercado por colegas de religião, há um escudo em torno de você protegendo-o de ideias de fora. Quando eu abandonei minha religião, foi meio que "tanto faz". Acho que meus amigos e minha família ficaram aliviados, porque parei de pregar para eles. Evangélico, sabe como é, a coisa toda é sobre evangelizar, contar às pessoas sobre Jesus para salvar as almas deles. Acho que eu era chato. Mas agora entendo isso, por que eles fazem aquilo. Eles sentem que têm de fazer.
 
O sr. acha que a religião ainda tem uma função na sociedade? Claro, no passado foi importante para criar coesão social, mas atualmente...
Em países europeus, onde há bons sistemas de proteção social e tudo mais, eles não precisam de religião. Essa é uma das razões por que os percentuais de religiosos são bem mais baixos lá do que em países americanos, incluindo a América do Sul. Visito catedrais na Europa e elas estão vazias ou fechadas. Eles as alugam para festas ou as usam como museus de arte –o que é ótimo, porque são construções bonitas. É um sinal de que a religião está declinando, porque não precisamos dela para explicar o mundo. A ciência faz isso. Você não precisa dela para cuidar dos pobres, o governo e instituições de caridade estão fazendo isso. Prevejo que não vá acontecer logo, mas em séculos acho que a religião vai cair em desuso.
 
E isso é uma coisa boa?
É uma coisa boa. É, porque ela é repleta de bagagem, isso não é bom para a sociedade. A crença no sobrenatural e a na vida após a morte não é boa. Eu não acho, quer dizer, eu entendo por que pode confortar, quando há um ente querido morrendo e há a promessa de uma vida após a morte. Entendo isso. Mas a ideia de bancar um pós-vida pode levar você a perder o aqui e o agora. Agora é a hora de tentar fazer o mundo melhor. 
 
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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