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A uberização da vida

Benedicto Ismael C. Dutra
06/12/2017



 Os recursos naturais do Brasil são os mais valiosos do planeta e, por isso, muito cobiçados. A população tem de ser conscientizada e preparada para a correta utilização desses bens. As florestas não podem continuar sendo destruídas. Os recursos naturais asseguram a continuidade da vida, sendo a água é o sustentáculo, porém ar, água, solo, e florestas estão deteriorando de forma exponencial.
 
No momento atual, países, empresas e entidades enfrentam uma fase muito difícil. O estrago em Mariana, decorrente do vazamento da Samarco, que despejou uma montanha de resíduos tóxicos no rio Doce, revela a displicência com a vida, com as criaturas, com a natureza, tudo pelo pensamento unilateral voltado para os interesses materiais. A recuperação das florestas, das nascentes, da fauna, poderia se constituir numa atividade para dar ocupação, renda e conhecimento sobre a natureza e a vida para essas populações desassistidas desde os tempos do Brasil Colônia, mas em vez disso permanece o despreparo, baixa escolaridade, atraso, e falta de motivação para a continuada melhora.
 
Uma bem coordenada pela autocracia chinesa resultou em continuadas vantagens na balança comercial, enquanto o Ocidente ficou viciado em ganhos financeiros especulativos, gerando desníveis globais na concentração de renda.  Isso pode afetar o nível de empregos, mas provavelmente não afeta o equilíbrio das contas do dólar sempre bem planejadas. O que poderíamos fazer para não cairmos numa autocracia global?
 
Com a invasão cultural os países jovens e menos preparados estão perdendo o sentimento pátrio. No Brasil, muitas pessoas mal sabem o vocabulário português, mas utilizam várias palavras estrangeiras sem saber exatamente o significado, a pronúncia, a origem. Costumes, bandeira, história, nada significam diante da avalanche de informações e motivações superficiais. Declina o potencial da população; não há propósitos; as pessoas seguem alheias ao real significado da vida. Se as nações tendem a desaparecer por interesses e influências alienígenas, o que virá em seu lugar?
 
De onde vem a desigualdade econômica? Como se formam grandes fortunas? Com ações imorais como a corrupção, especulação em geral e privilégios. O PIB e lucros se formam com a participação de todos que produzem, utilizando recursos da natureza anteriores ao homem. A desigualdade na renda se combate com oportunidades gerais, com o esforço dos indivíduos para trabalhar bem e para ampliar seu potencial de forma contínua. Se o ganho vem do trabalho de todos, por que não estabelecer participação no resultado, avaliando o mérito individual?
 
O Brasil vacilou e agora não sabe como se recuperar, pois enfrentou a inflação com valorização cambial, descuidou do equilíbrio das contas internas e externas, e conforme tabela do crescimento apresentada pelo economista Delfim Neto, desde 1994 vem apresentando crescimento inferior aos emergentes. Há o receio de que a maioria dos candidatos às eleições 2018 não esteja preparada para reconhecer o problema e promover melhoras no crescimento e na qualidade de vida. Precisamos de políticos idôneos e empenhados com o progresso do país escolhendo equipes competentes. 
 
Privatizar é necessário, pois o Estado-empresário não dá certo porque tudo fica nas mãos dos mandarins que fazem o que querem para beneficiarem a si mesmos. Endividar o país para privatizar tem um aroma de safadeza que vem arruinando o Brasil há décadas. O país perdeu o rumo ao permitir que as maracutaias fossem aceitas, levando à falta de seriedade que desestrutura tudo e incrementa a violência. Governo endividado, empresas em dificuldades, população descontente, produção reduzida. 
 
Despreparo. Trabalhador ganhando pouco. Bônus para ganhos especulativos financeiros. Em contrapartida não há participação nos lucros embora toda a equipe deva dar a sua colaboração. A retração no mercado interno e o aumento da concentração de renda podem ter como uma das prováveis causas a “Uberização” da produção mundial com o processo de redução do custo que vai acarretando desemprego crescente onde os custos sejam inelásticos.
 
O estudante brasileiro tem de criar mais disposição para estudar. Quando a pessoa tem potencial acima do que sua atividade requer, consegue expandir; caso seja de potencial inferior, a atividade tende a estagnar ou regredir. Por isso, para alcançar o progresso real, é indispensável que as pessoas busquem a ampliação do seu potencial de forma continuada.
 
 
 
 
 
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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