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O que pensam os candidatos

Benedicto Ismael C. Dutra
14/08/2018



 A inflação tem causado danos e é explicada como sendo o aumento contínuo dos preços. Alguns economistas (como os da Escola Austríaca) preferem defini-la como sendo a consequência de um aumento no suprimento de dinheiro (expansão monetária) e isso acontece quando o governo emite dinheiro para atender a seus compromissos sempre crescentes. Ou o governo toma dinheiro no mercado financeiro para pagar seus compromissos e constitui dívida soberana, ou os bancos criam dinheiro através do crédito fracionado, isto é, os depósitos dos clientes são multiplicados para conceder empréstimos. Com frequência, as pessoas têm a percepção de que o dinheiro está perdendo valor e os preços subindo.

Analisando os números das contas públicas do Brasil, o economista Clovis Panzarini já afirmava em 2016 que “Por longo período, a voracidade da despesa foi alimentada por sucessivos aumentos da carga tributária e pela contratação de novos empréstimos. Como resultado, a carga tributária equivale a 35% do PIB e a trajetória da relação dívida/PIB aponta para uma situação insustentável, já alcançando 67,5%.”    
 
A classe política acha que o Estado são eles e jamais se perguntam o que têm feito de bom para o país e sua população. Se perguntassem, teriam de ver o horror de sua atuação. Em 2018, a dívida bruta está se aproximando dos R$5 trilhões, correspondendo a 75% do PIB. Não dá para elevar mais a carga tributária, mas a classe política continua fantasiando enquanto o país foi sofrendo perdas na indústria e no preparo das novas gerações e se encontra em rota visivelmente decadente.
 
Há muita discussão e pouca compreensão do que se passa no Brasil e no mundo. Expandir o consumo com o aumento de importados e crédito sempre cria problemas, pois, com isso, se transfere para fora a produção e empregos com consequências sobre a capacitação da mão de obra. O PIB tende a estagnar. Com a automação em andamento, a situação dos empregos tende a piorar. Para que haja consumo é preciso ter renda. Isso está se passando no Brasil e também nos EUA com déficit comercial de longa data, apesar de terem o dólar. O Brasil tem permanecido atrasado na educação e na melhora da renda. 
 
Os acordos comerciais são essenciais, mas têm de produzir melhoras no nível técnico e produtividade, sem acarretar déficits e endividamento. As redes de varejão, oferecendo produtos de segunda linha, demonstram que elas vêm ao encontro de consumidores que estão perdendo poder aquisitivo. O que os candidatos propõem para corrigir as distorções que atrasam o Brasil?
 
O crescimento do PIB da China continua atingindo as previsões, ensejando a melhoras nas condições gerais de vida, mas surgirão incertezas caso haja recrudescimento da guerra comercial. Em vista disso, surgem diversas comparações entre o imobilismo econômico do Ocidente e as arrojadas transformações postas em prática na Ásia, visando uma ordem econômica calcada no aumento de produção e redução de custos para atender o mercado externo, e oferecendo melhoras ao vasto contingente de trabalhadores empregados. 
 
A economia mundial vive um momento de inquietude. Após o término da guerra fria, o livre mercado seguiu a tendência de maximizar os ganhos enquanto surgia o capitalismo de estado visando grandes quantidades para baixar os preços. No embate, a produção industrial do livre mercado perdeu terreno reduzindo as oportunidades e a qualidade dos empregos. É preciso resolver essa dramática questão dando oportunidades aos talentos das novas gerações de forma produtiva e enobrecedora. Então, o que poderia fazer o Ocidente? Alguns teóricos chegam a sugerir o caminho extremo de unificar o comando como meio para obter melhores resultados na economia e na preservação do meio ambiente.
 
Frequentemente ouve-se falar em governo mundial. Como ele seria? O que se dizia a boca pequena começa a se alargar. Com quase oito bilhões de habitantes, tendendo a crescer 30%, as dificuldades de controle geral aumentam. Muitos estudiosos julgam que terá de ser imposta uma disciplina rígida sobre o comportamento das pessoas, o que significaria a perda da liberdade de decidir sobre a própria vida. Mas, sob o uso da força física e psicológica, a sociedade humana sempre será como estopim aceso prestes a explodir. Sem o desenvolvimento da verdadeira consciência humana, a decadência é inevitável.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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