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Precisamos da boa coesão

Benedicto Ismael C. Dutra
21/08/2018



Há que se pensar no que realmente é importante para a sociedade e qual alvo deve ser perseguido. Como se observa nas estruturas globais de produção, a prioridade atual está em aumentar a produção, reduzir os custos, e elevar os ganhos e controle. As consequências vão se tornando visíveis sobre as novas gerações: emburrecimento, foco estreito, lentidão para pensar, decadência espiritual e moral, aumento no consumo de drogas como meio de aguentar a forma de vida insípida, sem metas e com poucas esperanças de melhora. A solução seria inverter a prioridade, colocando-se em primeiro lugar o desenvolvimento integral do ser humano com dignidade, e, em função disso, construir o restante. Com certeza, surgiria expectativa de contínua melhora das condições gerais de vida e aprimoramento da espécie humana, presentemente bem abaixo do que é esperado dela.

O que é a ciência econômica hoje? O aumento da produção em uma região tem a ver com a competição globalizada. Quando uma região aumenta a produção, reduzindo o preço, acarreta um encalhe na produção de outra. No passado distante, a prioridade era a melhora das condições gerais de vida, o que se refletia nas ciências que se mantinham mais próximas da natureza. Hoje se abstraíram do ser humano. Kishore Mahbubani, ex-diplomata e acadêmico da Universidade de Singapura, já dizia que enquanto o Ocidente acalentava a sensação de estar no comando global da economia, finanças e cultura, a Ásia buscava encontrar o caminho da melhora. No entanto, a prioridade pode ter sido a de acumular dólares através do comércio de seus produtos de menor preço no mercado mundial. De fato, os governantes em geral não têm colocado como prioridade a otimização das condições gerais de vida para toda a população. 
 
Teóricos dizem que o desenvolvimento acelerado da China se deve à aplicação da teoria das vantagens comparativas no comércio do mercado livre global, mas, na prática, na economia globalizada ocorrem muitas transformações que afetam a formulação feita em 1817 por David Ricardo, economista e político britânico (1772/1823). Se um país direciona sua atividade econômica para commodities agropecuárias e minerais, transferindo a produção industrial para outras regiões, vai acabar faltando empregos em suas cidades, pois só com serviços não há sustentação das atividades que vão perdendo dinamismo. 
 
Agora o mundo enfrenta a guerra comercial e cambial, e o embate entre os que querem globalizar o poder, e os que estão se opondo à globalização. Se não for encontrado um acordo e ajustamento, daqui para frente poderemos ter um futuro bem conturbado. No Brasil, a situação anda péssima já faz tempo. Depois que estouraram as bolhas na bolsa e no setor imobiliário, que acarretou na crise financeira de 2008, quando houve o grande ataque ao erário nacional e evidenciaram-se os caminhos errados na economia. A valorização cambial novamente perdeu a sustentação artificial. Estamos diante do embate eleitoral buscando candidatos que possam cuidar seriamente dos interesses do país e da população.
 
Depois de toda irresponsabilidade na condução do Brasil em suas contas internas e externas, depois de todo não querer ver o que se passava na indústria e no preparo das novas gerações, dizer que o PIB não cresce por causa da estúpida greve dos caminhoneiros, parece piada. É preciso encarar os problemas de frente, com os olhos abertos e fazer um esforço conjunto para reequilibrar a desarrumada economia global.
 
Em química, coesão é a atração intermolecular entre moléculas do mesmo tipo. Já a fragmentação é a divisão, é a ação de fragmentar, de quebrar, de reduzir a fragmentos, a pequenos pedaços. Os seres humanos deveriam estar coesos na busca da melhora nas condições gerais de vida e no aprimoramento da espécie, mas acabaram caindo nas armadilhas habilmente preparadas para fragmentar os naturais anseios do espírito com a vaidade e mania de grandeza, fragilizando a força entusiasmadora a ponto de terem grande dificuldade para a compreensão mútua.
 
Quando o homem deixou o espírito adormecer, colocou o sentimentalismo em primeiro plano. Em seu ser, a visão do infinito, do alfa e do ômega, e o reconhecimento do doador da vida, o Criador e suas leis cósmicas, se foi apagando. Com o sono do espírito, tudo foi rebaixando; o sentimentalismo decaiu no materialismo onde não há amor, consideração e respeito pelo próximo. A paz e o progresso estão seriamente comprometidos.
 



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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