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ELEIÇÕES E O DESCASO

Benedicto Ismael C. Dutra
29/10/2012



Com a concentração do poder econômico, o poder político ficou vulnerável. A ânsia de ampliar ganhos estimula a corrupção e determina prioridades.

Ao invés de trilhar o caminho árduo do trabalho, das realizações benéficas, do adequado preparo da população, a classe política tem se preocupado mais com a próxima eleição. O poder econômico, em como obter o máximo de vantagens à custa do Estado, mantendo o seu domínio. A população acomodada, com pão e circo, sonhando com o Estado Previdenciário que atenda o máximo de suas necessidades sem precisar estudar ou trabalhar muito. Ora, assim não conseguiremos o aumento de produção, a ampliação do mercado interno, a boa formação da mão de obra, e menos ainda conseguir divisas internacionais através de exportações. Os municípios, com raras exceções, se encontram em situação precária e deficitária.

Em meio a toda a tragédia econômica e financeira que se reflete visivelmente no campo social, a classe política não tem tempo de cuidar dos interesses da população face às despudoradas manobras na luta pela conquista e manutenção do poder, que acarretam o descrédito das instituições.

Um traço comum na maioria das grandes cidades é a confusão dos congestionamentos na hora do rush. Milhões de pessoas movendo-se de casa para o trabalho, ou vice‑versa, usando carros, ônibus, trens, metrôs e outras modalidades de transporte. São muitos carros e muitas pessoas movendo-se ao mesmo tempo. Poluição excessiva, barulho e impaciência provocando estafa e estresse nas pessoas. Há casos em que muitas pessoas gastam em média duas horas para ir ao trabalho e duas horas para voltar para casa. Quatro horas por dia, vinte por semana.

É um grande desperdício de tempo que poderia ser aproveitado em cursos, leituras ou atividades de lazer. Na hora do "rush" acresce ainda o inconveniente de o transporte público estar sempre lotado, aumentando o desconforto. Evidentemente a necessidade de locomoção não recebeu as devidas atenções, seja das autoridades ou mesmo dos empregadores, porque as condições atuais permaneceram brutais, isto é, sem as necessárias atenções para um melhor planejamento para que a existência humana não se tornasse tão áspera e sofrida.

Efetivamente os precários sistemas de transporte público nunca foram utilizados pelas classes dirigentes, governamentais ou particulares. Se tivessem sentido na pele como são desumanos e desconfortáveis, por certo teriam buscado soluções mais apropriadas. Existem muitas coisas que as classes dirigentes não experimentaram, por isso desconhecem como vive grande parte da população.

O trabalho faz parte da vida. O Planeta contém em seu revestimento material tudo que o ser humano necessita para a sua subsistência, mas a matéria deve ser trabalhada e transformada para o atendimento das necessidades humanas, e não para o benefício de minorias. Evidentemente isso requer planejamento, organização, pesquisas, treinamento e acima de tudo, seriedade.

A eleição é o processo através do qual são escolhidos os dirigentes governamentais mediante os votos atribuídos pela população. Sem dúvida se trata de um momento de grande significação, mas que também não ficou livre das intervenções movidas pelo egocentrismo humano, e por isso mesmo não atingiu a plena florescência, dando margem a casuísmos e manipulações do indolente ser humano.

As eleições exigem muito discernimento da parte dos eleitores, contudo o processo tem sido conduzido em clima passional, com o predomínio das agressões verbais e muita propaganda astuciosa, sem que se vislumbre uma objetividade na análise das causas e nos remédios aplicáveis para melhorar as condições de vida da população.

Com a concentração do poder econômico, o poder político ficou vulnerável. A ânsia de ampliar ganhos estimula a corrupção e determina prioridades. O Estado se descuida de sua função para atender interesses particulares em detrimento do todo. Enfim, qual deveria ser realmente a finalidade da administração pública? Qual a finalidade da vida?

O estilo de vida não está levando na devida consideração o eu interior do ser humano dando ênfase principalmente aos aspectos materialistas, despertando a cobiça e a insatisfação. Em São Paulo o aumento da violência urbana está intranquilizando a população. Esperemos que o eleitorado seja inspirado em sua escolha para que sejam escolhidos aqueles que tenham um real empenho na construção de uma cidade lar de seres humanos, para que possamos evoluir em paz e alegria.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela FEA/USP, associado ao Rotary Club de S. Paulo, realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordenador dos sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br), é autor dos livros: Conversando com o homem sábio; Nola – o manuscrito que abalou o mundo; O segredo de Darwin; e 2012… e depois? (bicdutra@library.com.br)
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